Em agosto de 2023, o governo federal lançou o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com previsão de investimentos de R$1,7 trilhão em todos os estados do Brasil. Deste montante, R$7,89 bilhões foram destinados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Um dos programas contemplados foi o de Monitoramento e Alerta de Desastres, o que rendeu ao Cemaden o aporte inicial de R$50 milhões.
Com esses recursos, o Centro realizou a aquisição e instalação de pluviômetros em 212 municípios brasileiros. Considerando a previsão de recursos adicionais do Novo PAC (da ordem de R$60 milhões), o Cemaden estima que, até o fim de 2026, sua rede de monitoramento se aproxime da totalidade dos 2,1 mil municípios suscetíveis à ocorrência de desastres geo-hidrológicos.
“Com o aumento da frequência e intensidade dos fenômenos meteorológicos e climáticos extremos, associados à variabilidade climática e ao aquecimento global, verifica-se o incremento da população vivendo em situação de vulnerabilidade em áreas suscetíveis a desastres. Isso torna crucial aumentar a cobertura territorial e populacional do sistema de monitoramento e alertas de desastres”, avalia a diretora do Cemaden, Regina Alvalá.
Distribuição dos municípios atendidos pela Fase 1 do Novo PAC
Os 212 municípios previstos na primeira etapa do Novo PAC se distribuem pelos seguintes estados: Santa Catarina (30), Bahia (25), Minas Gerais (21), Pernambuco (15), Ceará (14), Rio Grande do Sul (12), Acre (10), Amazonas (10), Paraíba (9), Maranhão (8), Pará (8), Alagoas (7), Espírito Santo (7), Rondônia (7), Piauí (6), Amapá (5), Sergipe (5), Mato Grosso do Sul (4), São Paulo (4), Mato Grosso (2), Paraná (2) e Roraima (1).
Novo PAC no Cemaden: ampliação e modernização
Dos R$50 milhões destinados ao Cemaden: R$20 milhões foram utilizados para a aquisição e instalação de equipamentos em 212 municípios prioritários; R$500 mil foram investidos na elaboração do projeto executivo do novo datacenter; R$9,5 milhões estão empregados na construção do datacenter, com previsão de término em abril de 2026; e os R$20 milhões restantes serão utilizados na aquisição e implantação dos equipamentos e infraestrutura tecnológica do datacenter, com previsão de conclusão até o fim de 2026.
“Para enviarmos um alerta hidrológico para um município localizado às margens de determinado trecho de um rio, não podemos olhar apenas para o trecho, mas para a bacia como um todo. Essa maior cobertura espacial de dados vai permitir, portanto, melhorar a qualidade dos alertas de modo geral, não apenas para os novos municípios”, explica o coordenador-geral de Operações e Modelagem do Cemaden, Marcelo Seluchi.
Populações em áreas de risco no Brasil
De acordo com dados do Censo Demográfico 2022, os municípios brasileiros suscetíveis a desastres geo-hidrológicos concentravam quase três quartos (73,3%) da população total do Brasil, o que correspondia a aproximadamente 148,9 milhões de pessoas. Destes, 8,9 milhões (6,0%) viviam em áreas de risco.
Os estados com as maiores proporções de moradores em áreas de risco eram a Bahia (1,5 milhão de pessoas, 17,3%), o Espírito Santo (518,6 mil pessoas, 13,8%), Pernambuco (863,5 mil moradores, 11,6%) e Minas Gerais (1,4 milhão de pessoas, 10,6%). Juntos, esses quatro estados reuniam 47,7% da população vulnerável a desastres geo-hidrológicos no país.
“O objetivo final do Cemaden é mitigar as perdas, especialmente as humanas, em situações de desastres. Quando mais municípios passam a fazer parte do sistema de alertas, esperamos que isso leve a elas a possibilidade de serem mais resilientes”, avalia Marcelo Seluchi.



