O número de registros de desastres no Brasil foi significativo entre 2007 e 2011, destacando-se uma recorrência anual de eventos catastróficos nunca antes registrados no Brasil. Em 2007, aproximadamente 2,7 milhões de pessoas foram afetadas por desastres. Em 2008, a região do Vale do Itajaí em Santa Catarina sofreu perdas econômicas e sociais causadas por chuvas intensas. No final de 2009 e início de 2010, chuvas fortes causaram destruição e morte em Angra dos Reis e na Ilha Grande. Ainda em 2010, eventos climáticos severos causaram enchentes e inundações nos Estados de Pernambuco e Alagoas e afetaram cerca de 12 milhões de pessoas, sendo 6 milhões somente na cidade do Rio de Janeiro, e grande número de vítimas fatais por deslizamentos em encostas. Em 2011, ocorreu o pior desastre do Brasil, na Região Serrana do Rio de Janeiro com o registro de 947 mortes, mais de 300 pessoas desaparecidas e milhares de desalojados e desabrigados, além de severas perdas econômicas, destruição de moradias e infraestrutura, em decorrência de enxurradas e deslizamentos.
A partir do desastre ocorrido na região Serrana do Rio de Janeiro, tornou-se indispensável dispor de um sistema de alerta que reunisse competências científicas e tecnológicas de várias áreas do conhecimento, principalmente, de meteorologia, hidrologia, geologia e desastres naturais. Apesar de o Brasil possuir certa competência técnica para monitorar e prever fenômenos de natureza meteorológica, hidrológica, agronômica, e geológica de forma disciplinar, nenhum órgão da esfera federal monitorava esses processos de uma maneira integrada até recentemente. Assim, na ausência de um sistema de alerta e na incapacidade resultante para prevenir e mitigar os danos, as ações governamentais limitavam-se a atenuar as consequências dos desastres.
Além das providências imediatas de socorro e apoio à reestruturação das áreas afetadas, ficou patente, no Governo Federal, a necessidade de centralizar esforços para aumentar a capacidade da sociedade brasileira para o enfrentamento de catástrofes e, principalmente, para a prevenção e o alerta com antecedência, de modo a evitar e reduzir o número de vítimas e de prejuízos sociais e econômicos decorrentes desses desastres.
Assim, em fevereiro de 2011, o MCTI foi chamado a integrar o grupo de trabalho coordenado pela Casa Civil da Presidência da República, criado com o objetivo de elaborar um plano de prevenção e enfrentamento dos desastres naturais. Coube ao MCTI a responsabilidade de implantar um sistema de alertas antecipados da probabilidade de ocorrência de desastres, associados aos fenômenos naturais que mais causam vítimas fatais no país, os deslizamentos de encostas e as inundações. É nessa perspectiva que se insere a criação do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais.
Unidade de Pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o CEMADEN atua no apoio técnico e científico ao Governo Federal nas áreas de monitoramento de riscos, sistemas de alerta precoce e prevenção de impactos decorrentes de desastres como inundações, deslizamentos de terra e secas.
A sede do CEMADEN está localizada em São José dos Campos, no estado de São Paulo, e sua atuação é de abrangência nacional, por meio de uma ampla rede de sistemas de monitoramento e de parcerias com órgãos federais, estaduais e municipais. O Centro conta com um corpo técnico multidisciplinar formado por pesquisadores, analistas e especialistas em áreas como meteorologia, hidrologia, geologia, geotecnologias e gestão de riscos de desastres.